
A vontade de Deus foi pela criação de um istmo contínuo. Assim o Rei Felipe II, da Espanha, teria reagido, em meados do século XVI, à ideia de criação de um canal em território americano, ligando o Oceano Atlântico ao Pacífico, naquela que teria sido a primeira referência sobre o que viria a ser o Canal do Panamá. A ideia da ligação, contudo, continuou sendo alimentada nos séculos seguintes e até Simon Bolívar se interessou por ela, mas sem levá-la adiante. O projeto só começaria a ganhar forma no final do século XIX com a conjunção de interesses em que se somavam o empresário francês Ferdinand Lesseps, construtor do Canal de Suez, os Estados Unidos, a Inglaterra e a França. Inaugurado em 1914, o canal ficou sob administração dos Estados Unidos até 2000, quando passou para o controle do Panamá, embora uma base militar americana com 12 mil soldados garanta a chamada neutralidade da região. Hoje, completam-se dez anos da sua devolução à administração panamenha, num momento em que as polêmicas políticas de outrora - como, por exemplo, a alegada ingerência dos Estados Unidos nos assuntos internos do Panamá - dão lugar à necessidade de modernizar a ligação entre os dois oceanos. É o que faz o governo panamenho com um investimento de US$ 5 bilhões para adaptá-la aos tempos globalizados e receber a geração de navios de grande porte. Embora para os exportadores brasileiros faria pouca diferença se predominasse a ideia de Felipe II, contrária à obra, já que pouco usam o canal, trata-se de rota de inegável relevância para a aproximação comercial entre as nações e de importante polo turístico. É o que mostra a reportagem especial da edição impressa do Brasil Econômico.
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